Política Neo-realista


Do Nada aparece um Director que começa por rejeitar o Sofá. Mais tarde, encontra várias frutas e acaba por se deitar nele como os outros.  Acha-se de esquerda, de direita, do centro e não é mais que um borboto na alcatifa da história, aspirado pela descontinuidade espacio-temporal que acelerava na direcção das 14:30. Porquê 22:45 e não três e onze? Era uma vez o Nada.

Último Capítulo
O Tempo espreguiça-se languidamente no Espaço procurando uma razão para existir, desfolhando sunset, sun-reset, muito, pouco, Nada, sunset, sun-reset, muito, pouco, Nada, sunset, sun-reset, muito, pouco, Nada... Um dia, aconteceu um dia e apareceu Tudo. Ou quase, não é certo, ainda não havia escribas e os deuses só tinham começado a existir.
O Tempo das novelas tem a propriedade de andar mais depressa ou mais devagar conforme se queira, o que quer dizer que o Espaço também se acanha ou espreguiça conforme a novela se desenvolve no seu casulo, qual tangerina azul adstringente, por uns metros ou millenniums, tanto faz, somos instantaneamente transportados para o espaço da nossa imaginação no tempo que se quiser. Assim, adiantando, encontramo-nos na alvorada do Sol poente, prontos para recomeçar um novo dia consumido no Jardim das Portas Gastas.

Passagem
Há uma Catacumba Grande e Indigesta, onde se acotovelam as Garças Irritantes e Fugidias sempre que a poeira do deserto sobrevoa o estreito. Costuma demorar uns duzentos dias siderais a atravessar, se não fosse estreito demoraria menos anos-luz. Normalmente escondem-se na sombra das moscas verdes que zumbem atarantadas, num frenezim de barris de cerveja e amendoins, pelo que ninguem estranharia um suave entrechocar de ossos, a acompanhar em surdina o Riacho Claro e Apetecível  murmurando lérias  para  um sofá de camurça que desce de vez em quando para se refrescar.  Subitamente, a Eduardina...

Capítulo Anterior
Eduardina Benedita Aurélia Yolanda tinha uma filha, duas das quais, pelo menos as mais óbvias, eram Idalina Benedita Marvila do lado o pai, Idalina Benedita Madragoa do lado do pai, e Idalina Benedita Mouraria do lado do casamento com um Mouro do Sul - Diocleciano Orlopadontico Semiramis, nado e criado em Abaixo do Douro. Reza a história, de mãos postas em प्रार्थना e genuflexão atenta ao milagre dominical, que um dia Idalina Benedita Mareada, se sentou num banco de dados; mas como Tony Cragg ainda não tinha passado, os dados não estavam colados e Idalina Benedita, mareada, teve de se apoiar no silvo do periquito que imitava o micro-ondas ao fechar a tampa para não cair para o lado negro da força. Helena Paulatina revirou os olhos, enqunto a história oculta continuava a rezar. Estava um daqueles dias de assar crocodilos, pelo que Vladimiro António Idalécio Osvaldo foi à nascente da fonte poeirenta na calha da ponte pendente, virada ao sol poente mente. 

Nem tudo o que reluz é oiro, como bem sabe Leonel Eduardo Gomes do Ó; assim precavido, caminhou melhor na fímbria do carreiro, uma vez, duas, três, quando a chuva chegou era verde-mosca, e Idalina Benedita Mareada olhou para o Director, em tom de orquestra afinando. Ignácio Edward trazia Gustavo Olavo ondulando graciosamente do Lado Esquerdo, prerrogativas de Director determinadas pela Central Nacional Normalizadora e que, de bom grado, qualquer aspirante a frigorífico assumiria disciplicentemente.  

Foi nesse interim que se desenrolou por vários metros o diálogo entre Lúcio Eduardo e Gustavo Orlando, ensombrando o Director que também ia à fonte beber toda a informação que pudesse acomodar do lado direito, onde Cabisbaixo Iníquo  Arrebitado  (Algures Uma Dúvida Insistente) permanecia  acocorado em posição de respeito.

Sem dúvida, era o Princípio.




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